Ficha limpa


Há esperança, o Brasil pode dar certo. Mas enquanto precisarmos de lei para não errar, algo está errado.
Você votaria em um político que cometeu crime contra a administração pública, contra o patrimônio público ou privado, contra o sistema financeiro, que tiver sido condenado por crime eleitoral, abuso de autoridade, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, formação de quadrilha ou outros tipos penais?
Se deixassem, sim.
A lei da Ficha Limpa finalmente tornou-se constitucional. Já a partir deste ano políticos condenados mesmo que ainda caiba recurso estão fora das eleições. Os que renunciaram aos seus mandatos para fugir de processos de cassação por falta de decoro também estão impedidos. Motivos estes por si só seriam suficientes para expurgar e sequer pensar em devolvê-los à vida pública, porém, no país do esquecimento, só uma lei para garantir essa barbárie. Duro, é acreditar que foi preciso o STF intervir para discutir o óbvio; ainda assim, quatro ilustres foram contrários.
Por linha tortas, acertamos e tomamos o rumo da moralidade. Inevitável nossa ignorância, fragilidade intelectual, falta de percepção e desinteresse político. A moralidade tem de vir de dentro para fora, somos nós quem precisamos tomar o rumo e as rédeas do sistema - há ferramentas para isso. Eles apenas nos representam. Enquanto precisarmos ser lembrados disso, ainda que obrigados, mais nos distanciamos de uma sociedade justa e evolutiva.

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