Conceitos e preconceitos

Existe luz no fim do túnel e é possível sempre, acreditar num mundo melhor.
Hiltor Mombach é editor de esportes e está em mais uma empleitada dessa vez na África.
Seu primeiro dia foi extremamente peculiar onde a experiência que passou faz com que acreditemos acima de tudo, nas pessoas. Reproduzo:

PRIMEIRO DIA
Sol e temperatura de 9 graus nos esperavam em Johanesburgo. Eram 7h. Desembarcamos com malas, conceitos e preconceitos.
John Lukacs tem uma visão diferente sobre preconceito, no sentido literal, pré+conceito. A questão básica é que vamos formando conceitos e nos apegamos a eles. Que conceito, ou pré+conceito, eu carregava dos africanos? O das notícias, não as de agora, quase sempre ruins. Li, dias atrás, sobre um assalto na África do Sul. Como se os assaltos fossem uma mazela dos africanos. Em Porto Alegre, assalta-se na Rua da Praia ao meio-dia. Rouba-se no Rio, em São Paulo, em Tóquio, na Alemanha...
Falo sobre isto para relatar um episódio. Fui a um supermercado que fica perto de onde estamos. Fui caminhando. Na volta, já noite, vinha carregado de sacolas, um tanto ofegante, quando um africano pediu, em inglês, se eu queria ajuda. Fiz que não entendi e apressei o passo. Pensei na notícia do assalto. Educadamente, o rapaz insistiu. Retruquei que não precisava, que estava tudo OK. Ele sorriu e voltou a insistir. Parei na calçada, larguei duas das cinco sacolas, que ele pegou como quem vence uma batalha, a de me convencer que estava tudo bem.
Ajudou-me na tarefa até a entrada do elevador, disse um seja bem-vindo e saiu. Assim foi o meu primeiro dia em Johanesburgo, de carinho, atenção, solidariedade, de um povo caloroso. É preciso conhecer para julgar. Alguém dirá que estou sendo precipitado. Não mais do que fui ao ler a notícia do assalto.
Os meus quase 60 anos me ensinaram que o pior tipo de ignorância é o conceito arraigado, aquele que fincou raízes. O rapazote que me ajudou jamais saberá que veio dele mais uma lição de vida. O mundo é um só. Somos todos irmãos.

O medo é nosso maior inimigo e produz monstros imaginários que muitas vezes sequer conferimos sua veracidade.
O episódio vivido por Mombach não dismitifica uma situação social e econômica do país, mas mostra que qualquer comunidade é feita única e exclusivamente de pessoas que tem o poder de transformar. E é preciso alguém começar.
Esse rapaz faz sua parte, Mombach fez a dele dividindo com seu leitor e assim, aos poucos vamos percebendo que tudo pode ser diferente.

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