Abolição

A história nos engana/ Dizendo pelo contrário/ Até diz que a abolição aconteceu no mês de maio/ Comprovada sua mentira/ E que da miséria eu não saio/ Viva 20 de novembro/ Momento pra se lembrar/ Não vejo em 13 de maio nada pra comemorar...

13 de maio: A mentira da abolição
A história nos engana/ Dizendo pelo contrário/ Até diz que a abolição aconteceu no mês de maio/ Comprovada sua mentira/ E que da miséria eu não saio/ Viva 20 de novembro/ Momento pra se lembrar/ Não vejo em 13 de maio nada pra comemorar...
Assim começa a ladinha do combativo Mestre Moraes e é também o começo da desconstrução da mentira que foi e que é a abolição da escravidão na história do Brasil. Mentira esta, construída não por acaso pelas mesmas mãos ensangüentadas do branco-europeu que outrora matava nossos ancestrais, pretos e caboclos. A história da escravidão na Humanidade, é quase tão antiga quanto ela própria. Relações sociais de servidão, construída a partir da co-relação de forças entre conquistadores e conquistados, dominadores e dominados, são registradas ainda nos primórdios do que hoje reconhecemos como civilização. A antiguidade clássica é o melhor exemplo dessa forma de escravidão, a Grécia e a Roma antiga, bases da civilização européia foram construídas sobre o trabalho escravo.
Contudo a forma de escravidão praticada no Brasil e no resto das Américas era praticamente inédita, baseada no subjugamento de uma raça em razão da cor da pele. De inicio a escravidão dos povos indígenas (povos originais destas terras) serviu de suporte a primeira forma de exploração. No entanto com o fortalecimento do tráfico negreiro, legalizado pelo império português e com o seqüestro dos africanos sendo cada vez mais lucrativos para os “selvagens brancos”, a mão-de-obra indígena foi praticamente abandonada e tomando corpo o etnocídio dos povos originais, que foram exterminados quase que por completo. E foi, com os primeiros latifúndios da cana-de-açúcar, que a mão-de-obra negra se consolidou no Brasil como a principal força de trabalho, barata e lucrativa para os senhores de engenho e para o império colonial. No entanto a luta e a resistência do povo preto, colocou a prova o sistema escravocrata, quilombos como o de Palmares encravado território colonial entre os estados de Pernambuco e Alagoas, com mais de 20 mil habitantes e que durou quase 100 anos resistindo as mais diversas investidas; insurreições e revoltas como a dos Malês que colocou a Bahia nas mãos dos negros mulçumanos nagôs e hauças, operações-tartaruga, e até mesmo o banzus, infanticídios e suicídios, foram métodos de luta utilizados pelos negros escravizados contra o inimigo racista.
Assim como a tomada de poder pelos negros ex-escravos no Haiti, e a luta dos abolicionistas aqui no Brasil, valendo destacar a figura de Luís Gama; trouxe medo as elites brancas, que como paliativo, começou a fazer algumas “concessões hipócritas”, como dá alforria aos escravos que prestavam serviços militares, a lei do ventre livre que nunca chegou a ter nenhum valor, já que dava aos senhores a tutela dos escravos libertos até os 21 anos e a mais discarada de todas a lei do sexagenário, que dava liberdade aos cativos com mais de 60 anos, o que era quase impossível de acontecer pois a média de vida de uma pessoa escravizada nem chegava perto disso e a compra de um outro escravo novo era mais lucrativa para os senhores do que manter um velho. Chegando finalmente a lei áurea, assinada pela princesa Isabel em 1888, que não foi portanto uma medida paternalista das elites brancas locais e muito menos um processo de tomada de “consciência humana” por parte desta mesma elite. Assim, como não teve apenas como motivo as pressões econômicas por parte das elites econômicas internacionais principalmente a Inglaterra, como chegam a afirmar alguns historiadores demasiadamente economicistas. Sendo fruto sim de um crescente processo de luta do povo negro contra a escravidão que sofria na pele. Prova disso foi o processo após a abolição, como a lei de propriedade da terra, na qual para ser dono de uma terra, você tinha que provar que a comprou. E o tratamento que foi dado aos ex-escravos, que foram “das senzalas para as favelas”.
E hoje, mais do que nunca o 13 de maio é firmado como o Dia de Denúncia à Discriminação Racial, encravado na história contemporânea do Brasil pela luta incansável dos companheiros e companheiras do Movimento Negro e é uma data em que lembramos também o nascimento do negro e anarquista Lima Barreto, ícone da literatura brasileira, boêmio e militante. Mais uma referência importante na luta de hoje contra supremacia branca e o estado burguês. Hoje encarnamos Lima Barreto assim como todos os nossos ancestrais, com coragem e ousadia para enfrentar o mesmo inimigo que se perpétua no poder até os dias atuais. Iremos até o fim... para construir o poder negro e popular, horizontal e autogestionário! Terminando a ladainha.
fonte: www.anarkismo.net

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