Artigo

Sem educação não há desenvolvimento

por Jorge Gerdau Johannpeter*

A gestão eficiente de recursos, a valorização dos professores e o foco no aprendizado são essenciais para que se alcance um ensino público de qualidade. Recente pesquisa realizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), com o apoio do Ministério da Educação, identificou 37 municípios brasileiros que conseguiram obter notas acima da média no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Quatro deles são gaúchos: Arroio do Meio, Horizontina, Farroupilha e Sapiranga. Não houve solução mágica, e sim uma ação coordenada e bem executada que demonstrou resultados animadores.
Infelizmente, esses municípios representam a exceção, como mostram tanto os indicadores nacionais quanto os do Estado do Rio Grande do Sul. Em uma escala de zero a 10, a média nacional no Ideb ficou em 3,8, e a do Rio Grande do Sul, em 4,2. Apesar de apresentar um nível um pouco superior, nosso Estado ainda está aquém do desejado. Ao nos aproximarmos do Dia Nacional da Educação, celebrado em 28 de abril, convido o leitor a fazer uma reflexão: quais são as causas que impedem a melhora da qualidade do sistema educacional? Cabe mergulhar profundamente nesse tema.
O quadro atual é resultado de uma inversão de valores na distribuição de verbas: segundo dados da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, enquanto o poder público - União, Estados e municípios - gasta cerca de US$ 870 por ano com cada aluno na educação primária, despende em torno de US$ 10 mil com um estudante do ensino superior, ou seja, 11,6 vezes mais. Trata-se de uma anomalia que prejudica toda a sociedade, pois é a formação básica que possibilita ao aluno chegar à universidade em condições de se tornar um profissional qualificado.
Outros países mantêm uma disparidade bem menor. Estados Unidos e Suíça, por exemplo, chegam a investir quase 10 vezes mais do que o Brasil na educação primária e gastam três vezes mais no ensino superior em relação ao ensino básico. Além disso, apenas cerca de 4,5% do PIB brasileiro é hoje investido em educação, o que acarreta uma baixa valorização dos profissionais e prejudica a capacitação de professores e gestores escolares.
A correção de erros como esse por meio da gestão racional dos recursos, da implementação de ferramentas de tecnologia de gestão e da ampliação do investimento público no setor é uma das metas do Todos Pela Educação. O projeto reúne institutos educacionais, professores, empresários, governos, técnicos e famílias e talvez seja, atualmente, a maior expressão da vontade da sociedade civil em contribuir para a melhoria da educação em nosso país. As demais metas do movimento, cinco no total, dizem respeito à universalização, ampliação e elevação da qualidade do ensino.
Para que todas as metas - que podem ser conhecidas na página do Todos Pela Educação na internet - possam ser cumpridas, o esforço deve ocorrer em todos os níveis, de forma articulada. O desafio é transformar a educação no grande objetivo da sociedade brasileira, posicionando o investimento na área como a principal prioridade do governo, e não apenas como a sexta ou sétima em ordem de importância, como ocorre hoje. Assim, conseguiremos propiciar um salto de qualidade e gerar prosperidade e igualdade de oportunidades para todos. Não podemos abrir mão da qualidade na educação, sob pena de reduzirmos as oportunidades de inserção no mercado de trabalho das futuras gerações e prejudicarmos a competitividade global do país.
*Empresário, presidente do Conselho de Administração do Grupo Gerdau
Publicado na edição de hoje em Zero Hora

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